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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Inaugurado o Museu da Costa do Dendê de Cultura Afro-Indígena...


Foi inaugurado neste domingo (06.08), o Museu da Costa do Dendê de Cultura Afro-Indígena, no povoado de Cajaíba, zona rural de Valença. Gerido pela Comunidade do Caxuté, sob a liderança da sacerdotisa Bantu Mam´etu Kafurengá (Mãe Bárbara), o museu foi criado a partir de recursos próprios da Comunidade Caxuté e do apoio do Programa de Qualificação Design Dialógico: Uma Estratégia para Gestão Criativa de Território, do Instituto de Design e Inovação, obtidos através do Fundo de Cultura, via edital Formação e Qualificação em Cultura 2016, da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

O Museu da Costa do Dendê pode ser considerado um museu vivo, instalado entre dendezeiros, roldão de dendê, matas, fonte, maré, manguezais, cacaueiros. Cenário onde é abordada a cosmovisão Bantu e Indígena, em suas conexões entre biodiversidade e diversidade cultural, intermediada por saberes herdados desta ancestralidade. A abordagem expositiva busca colocar o visitante em contato direto com os espaços sagrados da comunidade. Conta com a Exposição Etnocultural, do fotógrafo Almir Bindilatti, que aborda o patrimônio material, imaterial e ambiental da região, numa pesquisa iconográfica sobre as comunidades tradicionais da Costa do Dendê, trazendo a diversidade ambiental, arquitetônica, suas manifestações culturais como o Zambiapunga, Capoeira, Burrinha, Marujada, Samba de Roda e a pesquisa sobre os quilombos e irmandades negras, com grande legado histórico e cultural, de extrema importância para o fortalecimento da identidade do Território. E também uma merecida e importante narrativa sobre a trajetória de Mãe Mira (in memória), sacerdotisa que muito contribuiu com a construção da história da religião africana em Valença e toda Costa do Dendê.

A Comunidade Caxuté tem se firmado como um corpo de referência na defesa do legado ancestral Bantu-Indígena no Território, buscando construir iniciativas e parcerias que fortaleçam a ancestralidade, a produção do conhecimento das comunidades tradicionais de matriz africana Bantu-Indígena, enquanto instrumento de preservação dos saberes, fazeres e fortalecimento identitário. O vereador de Salvador e presidente de honra do Instituto Cultural Steve Biko, Sílvio Humberto, marcou presença na inauguração e ressaltou: “A diversidade é algo maravilhoso e precisamos valorizá-la. Estou extremamente grato por este momento. Muitas vezes enfrentamos situações difíceis na política, que nos fazem pensar em desistir. Mas, nessas horas precisamos pensar nos nossos ancestrais que passaram por sofrimentos muito piores. Precisamos alimentar a esperança e acreditar no melhor”. “Temos que estar unidos sempre! Porque somos um só, apesar das culturas diferenciadas. E nós temos condição de modificar qualquer coisa, basta querer e acreditar”, ressaltou o Cacique Tupinambá Itagibá.

Janete Vomeri, secretária da Cultura de Valença, que também colaborou com a elaboração do projeto do Museu, externou um pouco da história do aluno Táta Luangomina, hoje diretor do Museu: “Ele sonhou este Museu! Vi esse menino crescer, buscar seus caminhos e realizar seu sonho. Construiu um espaço que também era sonho nosso. Ele foi fazendo um trabalho de formiguinha, concluiu a sua monografia e fez nascer este museu, o qual divulgará a nossa ancestralidade, as nossas origens. É muito difícil fazer cultura hoje e fazer uma representação onde todos os povos possam frequentar e se perceber é uma grande vitória. Sigo à disposição para colaborar com esta admirável comunidade”. Para Táta Luangomina: “Este museu é um “tapa” para nós povo negro, povo indígena enxergar que a nossa ancestralidade tem força e poder. Somos todos responsáveis por isso. A Comunidade Caxuté pode ter um espaço físico limitado, mas uma amplitude ancestral infinita. Tudo isso aqui é sagrado. Todos nós somos construtores desta memória. Um museu vivo, de memória viva. É de todos nós!”. 

Também marcaram presença: Cristiane Taquari, representando o secretário Estadual Jorge Portugal e o Centro de Cultura Populares e Identitárias da Bahia, e André Reis, representando o IPAC, ambos da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia (SecultBa); Vanessa Andrade, ex-representante Territorial da Cultura do Baixo Sul e atual assessora de Comunicação da prefeitura de Valença. Para quem deseja visitar o espaço, o horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, com agendamento prévio e com permanência até às 18h. Ingressos no valor de R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Além de visitas mediadas de segunda a sexta-feira, nos horários de 9h30min; 11h30min, 13h30min e 15h30min. Sábados: 10h30min e 14h. Domingos: 11h.

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