segunda-feira, 26 de agosto de 2013

PALAVRAS DE Irene Dóres: CULTURA DE TODOS; DISCUSSÃO DE POUCOS.

Há dez dias Valença recebeu artistas e agentes culturais das cidades do Baixo Sul para discutir a cultura do território e melhorar as propostas já existentes no âmbito estadual mas de devolução para os fazeres artísticos do território.

Eu estava lá fazendo meu papel de artista de Valença que deseja ver algumas resoluções melhoradas nos fazeres culturais do município.

Esse encontro foi a IV Conferência Territorial de Cultura em Valença. Conferência significa reunião de pessoas para discutir assuntos em comum. E os agentes da cultura têm muito assunto em comum para discutir nessas reuniões.

Bem, antes de falar da Conferência como um todo, vou expressar minha alegria em reencontrar o Balé folclórico da Bahia. Coisa linda de se ver. Até conversei com o Diretor geral, o Vavá Botelho. Ele me contou as suas dificuldades e suas glórias para chegar até aqui, afinal são vinte e cinco anos de estrada com muito sucesso principalmente fora do Brasil! Isso mesmo fora do Brasil, eles atuam a maior parte do ano na Europa, América do Norte e Grã Bretanha. Tá bom pra você? Pois é, se não foi ver, perdeu um espetáculo belíssimo e encantador como a Bahia.

Ah, mas se você desejar vê-los na Bahia, a Companhia tem dois elencos, um fica fixo no Teatro Miguel Santana no Pelourinho fazendo espetáculo para turistas, e esse que veio aqui viaja pelo mundo. Em outubro estão embarcando para Nova York.

Sobre a Conferência, eu tenho que dizer que o governo do Estado está procurando cumprir as propostas que foram votadas nas Conferências anteriores. Aí você vai dizer que estou defendendo o cara. Estou apenas reconhecendo e constatando que as Conferências têm surtido efeitos positivos, pois foi a partir desses encontros que os agentes culturais e artistas puderam dizer que tipo de ação desejavam do Estado para executarem suas políticas culturais. O Estado, como resposta, vem devolvendo as proposições feitas pelos baianos em forma de programas de premiações e editais de várias modalidades, para dar oportunidade a todos os grupos culturais e aos artistas dos 417 municípios baianos de serem contemplados. Legal não acha? Valença, por exemplo, já foi contemplado com alguns editais. Isso garante que projetos sejam realizados e a comunidade possa ampliar seus conhecimentos e ter oportunidade de ver coisas novas.

Então, realizamos a quarta conferência territorial, que inclusive, foi muito bem sucedida, mas, faltou algo. Faltou você, artista, que não compareceu, você que vive se envaidecendo, dizendo que é artista seja em que área for, mas não se presta a construir, a fazer a cultura do seu lugar mais bela. Você que tem um ego maior que seu tamanho, e que na prática não é o que representa ser, pois quando resolve chegar, vem apenas para tentar bagunçar o que está sendo feito ou negar o novo. Ah que pena! Você não veio para ver o que foi feito de novo e o que precisava ser reconstruído. É bem mais fácil reclamar do que falta do que formular pequenas propostas que dentro de um grupo de discussão se tornam gigantes e se transformam em solução. Mas tudo bem, você vai usufruir de tudo o que será conquistado, mesmo não tendo feito parte do processo.

Oba! Parece que estou dando uma bronca, de certa forma até que estou, mas isso é coisa de cronista, não liga p’ra isso não. A menos que você vista a máscara da verdade e se reconheça essa pessoa. Os encontros de cultura são sempre pouco povoados, porque a cultura está em segundo plano, assim como a educação e a saúde, todavia, a pessoas que comparecem para discuti-la levam-na à sério e buscam sempre os mecanismos para garantir a preservação dos fazeres, o reconhecimento dos saberes, a efetivação das práticas como garantia da continuidade da memória e da história de uma localidade, bem como a preservação do patrimônio histórico, cultural e imaterial.

Na boa, eu esperava uma maior participação dos atores, dos músicos, dos dançarinos, dos artistas plásticos e dos praticantes ou representantes das culturas de identidade na conferência, mas vi muito pouco. Em Valença, as pessoas que mais se dizem preocupadas com a cultura ou brigam para fazer parte de algum grupo, como o Conselho de Cultura por exemplo, são as que menos participam de um encontro tão importante como este. Esses lugares representativos servem para algumas pessoas, apenas como status, ali elas podem mostrar como são importantes.

Enfim, para quem compareceu parabéns, para quem se esquivou, lamento e digo que as nossas respostas são reflexos de nossas atitudes. Então ninguém pode esperar que o Estado faça o melhor por si, se não é capaz de ir à luta para tentar modificar o estado em que se encontra, em qualquer situação social. Ninguém deve se omitir e depois cobrar ações de um programa ou de um governo pelo qual não se prestou a opinar. O povo só recebe de volta aquilo que escolheu para si, isso é fato. Mas quanto à Conferência não se preocupe, nós fizemos o melhor, pelo menos o que nós entendemos ser o melhor para a sociedade artística e cultural do Baixo Sul.
(ACESSE: www.irenedoris.blogspot.com - crônicas, textos de teatro para escola e biografia da bela atriz)

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