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domingo, 11 de novembro de 2012

Valença tem o maior número de Terreiros da região

Mãe Celidalva, nação ketu, em Valença - Foto: A Tarde
Iniciada no candomblé há 30 anos, a ialorixá Celidalva Conceição, 56 anos, recebeu da falecida sogra, mãe Nazi Ozete, a missão de assumir o Terreiro Ilê Axé Ori Torokê. A comunidade religiosa fica na mesma casa onde ela mora em Valença. Responsável pelo terreiro de nação ketu há 12 anos, mãe Celidalva, luta para ampliar o espaço da casa onde faltam as áreas verdes tão caras aos cultos de matriz africana.

O Terreiro Ilê Axé Ori Torokê faz parte do mapeamento de espaços religiosos de matriz africana lançado na última sexta-feira (9/11), no Forte de Santo Antônio, no Centro Histórico de Salvador. De acordo com os dados encontrados, Valença é o Município do Baixo Sul  com o maior número de terreiros, 34 ao todo. Já Piraí do Norte, o menor, com apenas uma casa identificada. 

Mãe Celidalva diz que a possibilidade de auxílio do Estado, a partir do mapeamento, é um incentivo para continuar a luta. "Para manter terreiro tem que ter muito jogo de cintura. Os filhos da casa ajudam, mas quem toma a frente é sempre a liderança", diz ela que batalha para equilibrar as obrigações religiosas com o trabalho de servidora pública.

O evento em salvador fez parte da série de ações que integram o Novembro Negro e teve a presença da ministra da Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Luíza Bairros.

De acordo com o secretário de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Elias Sampaio, a ideia é fornecer subsídios para a elaboração de políticas públicas. “É uma entrega para a comunidade e para o povo de santo de um conjunto de informações acerca dos espaços de religiões de matrizes africanas”.

Ele informou que Salvador é um dos primeiros lugares a ter uma pesquisa desta natureza, “muito bem elaborada, um trabalho do professor Jocélio Teles e de Paula Barreto, que surpreende e mostra um grande conhecimento das religiões matrizes africanas”.
O trabalho foi iniciado em 2008 e percorreu 19 cidades do Recôncavo:

-- Cabaceiras do Paraguaçu

-- Cachoeira

-- Castro Alves

-- Conceição do Almeida

-- Cruz das Almas

-- Dom Macedo Costa

-- Governador Mangabeira

-- Maragogipe

-- Muniz Ferreira

-- Muritiba

-- Nazaré

-- Santo Amaro

-- Santo Antônio de Jesus

-- São Felipe

-- São Félix

-- São Francisco do Conde

-- Sapeaçu

-- Saubara

-- Varzedo

Na pesquisa foram identificados 420 terreiros, a maioria de nação Ketu - 142 ao todo. Na região, Santo Amaro é o município com o maior número de templos (60) e Muniz Ferreira com o menor (um).

Políticas públicas

A ministra Luiza Bairros disse que a partir destes dados serão elaboradas políticas públicas mais especificas.

“Isso traz para nós, dos governo federal e do estado, uma responsabilidade maior, na medida que conhecemos mais esta realidade. Também temos melhores condições de traçar algumas políticas voltadas a apoiar esta tradição e tudo aquilo que ela representa para cultura da Bahia e o Brasil de uma maneira geral”.

Segundo ainda Bairros, o mapeamento, “assim como feito aqui na Bahia, também está sendo realizado em outras regiões do país como Belém, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte”.

Na região do Baixo Sul 14 municípios foram mapeados:

-- Aratuípe

-- Cairu

-- Camamu

-- Gandu

-- Igrapiúna

-- Ituberá

-- Jaguaripe

-- Nilo Peçanha

-- Piraí do Norte

-- Presidente Tancredo Neves

-- Taperoá

-- Teolândia

-- Valença

-- Wenceslau Guimarães

No final, foram identificados 116 templos religiosos, subdivididos em 26 nações diferentes. 

“Faz parte de nossa história. Sem essa geografia não há como saber de onde é e como está localizado. Às vezes sabemos os nomes, mas não sabemos a localidade. Acho muito boa ideia, uma obrigação de todo brasileiro de valorizar e relembrar nossa história”, afirmou Mãe Stella, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.

Intitulado Mapeamento dos Espaços de Religiões de Matrizes Africanas do Recôncavo e Baixo Sul, o trabalho foi feito em parceria do Governo Federal com a Sepromi.


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