Respeita as Mina

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

DIREC 5 promove o maior evento artístico estudantil do Baixo Sul

Os projetos estruturantes buscam melhorar a aprendizagem
“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor” – assim foram recebidos os participantes da etapa regional dos projetos artísticos estudantis do ano 2013, realizada no último sábado, 31, no Centro de Cultura de Valença.

Com uma plateia animada, formada por torcidas das diversas escolas estaduais jurisdicionada à DIREC 5, os estudantes, acompanhados de professores e convidados realizaram um grande evento homenageando o grupo musical Novos Baianos e revelando a diversidade e qualidade artística do Baixo Sul da Bahia.

Para a diretora da DIREC 5, Flordolina Angélica, mais importante que a finalização regional, é como o projeto é organizado nas escolas. O evento faz parte dos projetos estruturantes e tem como objetivo melhorar a aprendizagem. São desenvolvidas ações articuladas de monitoramento e acompanhamento cujo objetivo é, dentro da ação pedagógica, contribuir para superar dificuldades que os alunos possam ter. “A culminância reflete a satisfação dos alunos em serem reconhecidos e verem suas produções valorizadas. Assim, promovemos uma escola pública de qualidade que reconhece e estimula seus estudantes. Estamos atingindo plenamente os objetivos, motivando, mas, acima de tudo, promovendo oportunidades”.

Chamados de projetos estruturantes, o FACE (Festival Anual da Canção Estudantil), AVE (Artes Visuais Estudantis), TAL (Tempo de Artes Literárias), PROVE (Produção de Vídeos Estudantis) e EPA (Educação Patrimonial), criados pelo Governo do Estado são realizados, inicialmente nas escolas, onde são selecionados e concorrem numa etapa regional. Daí segue, para a etapa estadual, realizada na capital baiana. 

Para Irineu Santana, coordenador da educação básica, o número recorde de participantes se deve também ao acompanhamento que foi realizado nas escolas, melhorando não só a qualidade, mas ampliando a participação. “Sabe-se que a prática humana está aliada as artes. Então é de extrema importância que ela seja incluída no currículo. A escola não pode fugir dessa realidade e precisa cada vez integrar a ciência com a vida, que inclui as artes” – afirmou ele.

Alfredo Neto, presidente da AVELA (Academia Valenciana de Educadores, Letras e Artes), membro da comissão julgadora do TAL, afirma que fomentar encontros e festivais é fundamental para que a juventude possa expressar-se. “A produção literária se faz lendo e escrevendo. Se estimulamos e premiamos o estudante para que ele produza, ele é reconhecido e, obviamente, será impelido a escrever mais e melhor. Isso pressupõe também que os professores gostem de ler, mas não obriguem os alunos. Use atalhos para que os alunos encontrem prazer na leitura”.

Carlos Gentil, músico, da comissão julgadora do FACE, destacou também o crescimento qualitativo na sua área. “Participei também ano passado e pudemos ver apresentações de verdadeiros talentos. Letras bem escritas e interpretações impecáveis. São adolescentes, mas já mostram qualidade, por isso parabenizo a DIREC. A arte e educação sempre andaram de mãos dadas. Antes da educação formal, já se educa em casa com cânticos, sambas de roda, então vê-se que a música sempre esteve presente na educação do povo”. Ele, que estará desenvolvendo um projeto patrocinado pelo Governo do Estado, chamado Musicalizar nas escolas, lembra que os festivais na década de 60, foram responsáveis por revelar os grandes talentos da música brasileira. “A música é um veiculo de cidadania. Estes jovens mostraram na prática que já estão conectados com esta ideia. Vi conteúdo, letra, compromisso político e social, além da importância de um evento como este melhorar a autoestima e valorizar a juventude”.

Daniel Lobo, estudante do curso técnico de educação ambiental da escola João Cardoso, participou ano passado com música. Este ano, concorreu no PROVE com um vídeo documentário sobre o lixão de Morro de São Paulo. “Fizemos um trabalho escolar e resolvemos registrar a realidade da ilha que recebe diversos turistas, mas não divulga os impactos ambientais que vem sofrendo”.

Já o estudante do CECAME, Leandro Santos Silva, concorreu pelo TAL e escreveu um soneto descrevendo as ilhas e suas belezas. Sobre o incentivo à criação, ele também defende os concursos. “Passamos a olhar melhor a estrutura do texto, a pontuação e a conjugação. O evento está maravilhoso. Fiz novas amizades. Essa é uma oportunidade de conhecer o mundo. Daqui saíram os finalistas para a capital”.

Concorrendo pelo FACE, Vinicius de Jesus Reis, da Escola Andrelina Eufrásia, de Ibirapitanga, afirma que sua música surgiu como uma resposta a colegas que questionavam o seu amor ao estado da Bahia. “Falo da geografia, da culinária, mas principalmente dos heróis da Bahia. Acho que com o festival os alunos estudam mais, leem mais para fazer suas composições e isso é um incentivo. Rompe-se a mesmice tediosa da sala de aula”. 

David Terra, músico convidado que homenageou os Novos Baianos executando suas composições na abertura de cada bloco, afirmou sentir-se honrado. “Parabenizo a iniciativa. Como artista, estou na luta pela democratização da arte. É justamente isso que a DIREC está fazendo, abrindo espaços para a juventude. É gratificante ver tantos talentos no palco. Emocionei-me. Me preocupa, inclusive, o pós, caso esses jovens decidam seguir em frente. Muitos não têm o apoio como eles tiveram. Daí a importância do governo, dos empresários, chegar junto. Estamos vendo um grande encontro e que venham outras iniciativas”.

Para Luana Figueiredo, que apresentou o evento, o alto nível e a movimentação das escolas é uma retribuição ao trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 6 anos. “A escola baiana está mais interessante e mais atraente. Diante de tantas tecnologias, como a internet, a arte, a cultura e a ciência estão mais vivas. Os meninos resgataram a rebeldia da juventude contra coisas erradas. Fizeram músicas de conscientização, assim como poesias, colocando pra fora esse sentimento. Não se pode desvincular a arte da educação. A escola em que ser um palco. Não pode ser rígida, nem chata. A arte dá esse movimento que a escola precisa. Nos festivais anteriores não havia esse nível de contestação e consciência em não jogar fora o que foi conquistado até aqui, mas reivindicar, por que ainda há muito a melhorar”.

Mauricio Sena participou da comissão julgadora do PROVE. Em sua opinião, apesar de embrionário, o projeto incentiva. “É uma alternativa pra começar a pensar na região a produção cinematográfica. Isso é excelente por que sai do ensino formal. O cinema pode ser uma alternativa para informar de forma mais dinâmica e atrativa. E podem surgir profissionais do ramo. Não é fácil, pois se precisa de recursos e equipamentos. Mas hoje, com o celular se produz. E daí podem surgir coisas com mais qualidade. Parabenizo a DIREC. O evento está bonito e não pode parar. Deve ser aprimorado para se tornar melhor”.

Da mesma opinião é Otávio Mota, coordenador do Centro de Cultura, que sediou o evento. Presidente da comissão julgadora do AVE, Otávio que participou de todas as edições, destaca o crescimento dos artistas emergentes. “Eles precisam apenas de mais orientação. Que as escolas consigam artistas com uma estrada para colocar pra eles as técnicas e tendências nas artes contemporâneas. A transversalidade da educação com a cultura é de suma importância, pois ajuda na formação de plateia e de novos artistas”.

Uarlei Vieira, da Escola Luiz Navarro de Brito, de Piraí do Norte, que concorreu pelo AVE, reafirma a importância do projeto como estímulo à produção artística. “Não produzo em casa. Na escola tive a oportunidade. Assim como eu, existem outros que não têm oportunidades” – afirma ele que, utilizou materiais reciclados para compor sua obra chamada primavera de papel. “Quis passar a ideia de sustentabilidade. Estou feliz com a participação. Ninguém vai voltar triste por que não ganhou. Todos vieram aprender”.

LISTA DE VENCEDORES DOS FESTIVAIS

FACE
UNIDADE ESCOLAR
FINALISTA
CANÇÃO
CETEP
LUANA MENEZES SOUZA
CENTAVOS
PAULO CEZAR
INDIANA  BARBOSA E WANDERSON KENNED
ALELO LETAL
NAIR LOPES
ISA LAURY OLIVEIRA PEREIRA
MEU PAÍS

TAL
UNIDADE ESCOLAR
FINALISTA
OBRA
POLIVALENTE
MILENA JESUS DOS SANTOS
UM NOVO DESPERTAR
CETEP
AMANDA NASCIMENTO E RENATA ARGOLO
PÁSSAROS SEM ASAS

PAULO CEZAR
MATEUS, CAMILA HILLO, MARCOS, KARILLYANE E TÁSSIA
OLHAR ESQUIZOFRÊNICO

AVE
UNIDADE ESCOLAR
FINALISTA
OBRA
JOÃO LEONARDO
ALLAN FERREIRA QUEIROZ
O BARCO
LÍBIA TONOCO
LIS ROSAS
SUBSISTIR
NAIR LOPES
TAMIRES SANTOS NASCIMENTO
MÃE NATUREZA EM AGONIA

PROVE
UNIDADE ESCOLAR: CEEPS Anexo Serra Grande. OBRA: O saci na Iara e a Iara no Saci

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