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quinta-feira, 20 de junho de 2013

IRENE DÓRES: Movimento Gota D'água: Contra a Impunidade, pelo Desenvolvimento do Brasil...


Estamos em 2013, a frase do momento é: “o gigante acordou!” então digamos viva! Viva! O povo brasileiro começou a se perceber como agente que faz a história, como pessoas responsáveis pelo sistema que se encontra vigente no Brasil e principalmente pelas mudanças ou permanências no sistema político através do voto consciente.

Nos países europeus quando a população não está satisfeita com o sistema econômico e ou político vão às ruas e reivindicam melhoras como fez a Grécia em 2011, por conta das dificuldades financeiras e das medidas de austeridade tomadas pelo governo para amenizar o rombo nos cofres públicos do país. Nos EUA, em outubro de 2011 milhares de pessoas sem lideranças políticas foram às ruas para cobrar do sistema político de seus Estados o fim da crescente desigualdade na distribuição de renda e riqueza, posto que como no Brasil, os Estados Unidos tem cerca de 1% controlando as riquezas enquanto o resto da população vive de maneira modesta.

O povo brasileiro é reconhecido historicamente como pacifico, mas a hora chegou e eles se rebelaram, já estão dando um passo à frente e dizendo “não aguentamos mais essa situação”. No Brasil politico rouba descaradamente e não é punido, ainda ocupa cargos importantes na direção do país, pessoas homofóbicas e sem condição de desenvolver uma linha trabalho voltada para a proteção do ser humano, assume a presidência de uma secretaria tão importante como a de Direitas Humano e os políticos criminosos lutam para tirar o poder de investigação de quem possa desmascará-los. O transporte público é humilhante, para além da longa quando o transporte chega espera o usuário tem que se submeter a andar muito colado a pessoas que nunca viram na vida. Nas grandes capitais como o Rio de Janeiro pegar um transporte alternativo para amenizar o tempo de espera é perigoso, o usuário pode estar assinando sua sentença de morte, em tão pode-se que nós os brasileiros não temos alternativa nem a quem pedir socorro.

O Brasil se orgulha em dizer que é o único país com sistema de saúde publica para tratar dos pobres. Isso no discurso é bonito, mas na prática não funciona. Nos hospitais o atendimento do SUS, não tem leitos para acomodar os doentes, não tem remédios para os internados nem materiais para cirurgias. As pessoas que necessitam de um exame de imagem esperam meses para realizar, tempo em que a doença se agrava, e quem tem doença maligna precisa esperar até seis meses para começar um tratamento, ou seja, essa pessoa está condenada à morte, porque a doença nesse período já se espalhou por todo o organismo. Quem precise fazer uma cirurgia corretiva pelo SUS, morre com o problema congênito existente, e aí já entra a responsabilidade médica, que quando percebe que o paciente não pode pagar se esquiva, nunca é encontrado e o paciente cansado do descaso desiste e permanece com sua incapacidade.

No sistema educacional as mazelas continuam com o mesmo peso da saúde, parece que o governo de forma geral percebe o professor como na Grécia e no Império Romano onde quem educava os filhos dos eupátridas e patrícios (os ricos) eram os escravos. No Brasil o professor ainda é o grupo de trabalhadores do Estado que ganha pouco pelo trabalho que desenvolve. Os educandos saem da escola sem capacidade crítica, agindo como analfabetos funcionais e sem condições psíquicas de perceber qual o candidato menos pior para lhes representar nas eleições. São enganados por quatro anos e votam outra vez no mesmo sujeito. Aí o país chega a esse caos e a população é obrigada a ir às ruas exigir reparo do que está errado há várias décadas.

Esse movimento deveria se chamar “pela moralidade do país”. Porque não basta retornas as passagens do transporte público ao preço anterior, tem que banir do congresso, das câmaras e das presidências de setores importantes, políticos desonestos, pois se não houver punição, o Brasil nunca terá conserto e as palavras do Geral francês Charles de Gaulle de que “O Brasil não é um país sério” ecoará por toda eternidade. Não existe no Brasil pessoas honestas capazes de assumirem a presidência do senado e outras câmaras? Para assumir a presidência o senado tinha duas opções, um estuprador e ladrão, ficou o ladrão. E as leis do país só são aplicáveis para os pobres? Porque rico e famoso ficam impunes como os senadores e deputados. Cadê a igualdade pregada no art. 5º da Constituição Brasileira? Não pode ser possível que diante de tantos desmandos e desrespeitos à nação, a população continue aceitando pacificamente todo tipo de abuso imposto pelos poderes públicos e pela sociedade empresarial que trabalha para explorar e enriquecer de forma ilícita (sonegando impostos) enquanto o povo com poder aquisitivo mais baixo é quem paga todos os impostos do país.

A copa do mundo de 2014 e a copa das confederações que está sendo realizada neste momento são bem vindas sim, nós enquanto brasileiros não devemos ser contra as coisas boas que vem ao nosso país. As copas na Bahia, possibilitaram a reconstrução da Arena Fonte Nova, não fosse por isso ela estaria ainda em estado de abandono, após o desabamento. A discussão deve caminhar para a isonomia, porque todos sabem que o país tem dinheiro, então que venham as copas, as olimpíadas, que venham tudo de bom para o Brasil, mas que se trabalhe pelo desenvolvimento interno da educação e da saúde; os governantes devem agora construir escolas de qualidade, determinar um ensino de qualidade, melhorar os salários dos professores de todos os níveis, equipar os hospitais com aparelhos, leitos, materiais de cirurgias, remédios e exigir a qualificação profissional dos médicos bem a melhoria na qualidade do seu trabalho, porque existem médicos e médicos. Alguns deles vão para as emergências dormir, outros nem comparecem e recebem pelo trabalho que não realizou. O doente permanece um dia inteiro na porta de uma emergência sem receber atendimento e às vezes morre ali do lado de fora do consultório. Vamos prestar atenção em quem escolhemos para nos representar em todas as esferas para não chorar por quatro anos sem um antídoto p’ra tomar.

O movimento “gota d’agua” é legitimo e racional. O povo brasileiro pela primeira vez vai às ruas em busca de respeito e honestidade. Nosso país está acordando, nosso povo está deixando de ser pacífico para ser específico na busca da seriedade, da igualdade real de direitos. Agora sim, vejo o primeiro passo para uma democracia de verdade. Desejo um movimento de paz que todos voltem para casa saudáveis; que os monumentos históricos permaneçam imunes; que os prédios não sejam quebrados e que polícia respeite as vidas. Torço para que a copa seja realizada com muita paz e para que os nossos heróis que lutam nas ruas por nós, consigam transformar esse país num lugar mais honesto; que nossos filhos e netos sintam orgulho de viver no Brasil, estudar numa escola pública e se tratar pelo SUS.

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